A arte do Inabitual

Deveras, poderia dizer que parte de nós anda de lá para cá sempre tentando conceber um plano menos infalível, insólito diria então. Insurreição! È um caminho estranho para os que buscam mais que o palco da vida. Deve ser um realismo que nega convenções que torna o palco da vida mais emocionante e verdadeiro.
Os ângulos que vemos as coisas desfazerem são sempre menos agradáveis, em parte sei que tentar mudar as coisas de livre mão é quase um desamor à solução.
Quem diria que depois que passamos por rios de soluções não encontraríamos nenhuma delas virando a esquina da confusão diria o insensato sem noção.

Também pudera, acharam o seu Sonho, (nome esquisito para um homem!) jogado, bêbado e sujo na esquina da confusão.
Diziam que a prefeitura queria mudar o nome da rua, e da esquina para, “Avenida Insólito das Dores breves”, mas os moradores do bairro lutaram, gritaram e bradaram e então ficou apenas Rua Confusão.
Não me pergunte qual rua cruzava com a Rua Confusão não me atreveria a lhe dizer, mas posso dizer que abriram um Pub chique, cuja placa dizia. “Bar do Sensonho” tudo junto mesmo! Fiquei embasbacado! Diziam que quem abriu o bar foi o seu “Amor” (que preferia que lhe chamassem “Das Preces”).
Alguns fofoqueiros e mentirosos do bairro deram um testemunho veemente. Diziam que o
“Das preces” foi visto também jogado, bêbado e sujo dividindo uma garrafa do velho e mal “Barreiro” com o Seu Sonho (aliás, nome muito esquisito mesmo para um homem que cuspia fogo). Isso, posso com certeza atestar, pois levei uma surra quando me atrevi a lhe cobrar uma divida de anos cujos juros já eram impagáveis.Eu lhe jurei, queria apenas a quantia exata, mas apanhei muito mais por me atrever a não querer os juros. Ele dizia em tom de morte: “Como se atreve rapaz, não querer os juros!”.
O seu “Amor” era doutor, por isso exigia de muitos que lhe chamassem pelo sobrenome “Das preces”.
O pub? Estava aberto todo dia das 18h45min ao ultimo freguês, mas ninguém se atrevia a entrar lá. O seu “Das Preces” era muito religioso com relação ao horário, como ele não havia ainda contratado se quer um funcionário ele mesmo estava abrindo o bar.
Seu amor dizia, alias o “Das Preces”: “se eu não fizer quem vai fazer” Os fofoqueiros falaram que o Das preces havia colocado todas as suas economias de anos naquele lugar, havia até arrumado um dinheiro emprestado com o seu Sonho, (que por sinal, ninguém sabe o seu sobrenome) Aqui eu posso afirmar! Excelentíssimo seu Sonho era agiota mesmo e tenho certeza que havia começado seu negocio com parte das minhas alegrias que outro dia, mais uma vez tentei lhe cobrar.
O Bar do “Das Preces” anda vazio mesmo, já vai ter que mudar ninguém se atreve a entrar lá. O dono do ponto nunca recebeu o aluguel, pobre coitado! Também pudera, fazer negócio com um homem que se chama “Das Preces”!
A prefeitura fez por fazer e terminou colocando o nome “Avenida Insólito das Dores Breves” na rua principal do bairro. O Das Preces se mudou pra lá, disse que o aluguel do ponto era mais barato do que o da esquina da Rua Confusão.
O bar agora anda sendo freqüentado, mas por conta da falta do pagamento que o seu “Das Preces” deveria fazer ao seu Sonho ele foi se instalar no bar e estava emprestando para todos desesperados que buscavam as alegrias que o Das Preces oferecia por um preço módico no mesmo bar.
Na Avenida Insólito das Dores Breves, havia um bar que se chamava “Bar do SenSonho”cujo dono do bar se chamava “Das Preces”, lá morava um agiota que se chamava seu Sonho, que emprestava a altos juros as alegrias vendidas a preços módicos pelo seu Das Preces, no mesmo bar. O “Das Preces” dizia: “Os ângulos que vemos as coisas nos movem para o caminho que queremos andar”
Por isso o seu Amor resolveu mudar. Pediu a todos que parassem de chamá-lo de “Das Preces” e caiu na doce arte de esperar. Também pudera, desde o dia que viu aquele sorriso... ahh!! Aquele sorriso? Com um rosto, viu sua vida em volto de prosa.
Também pudera, o seu “Das Preces” era apaixonado pelo lirismo de um tal de Stanislavski, e vivia a suspirar pelas obras de Moliere, alias, foi com ele que aprendeu a esperar. Seu Sonho que diga, influenciado pelo blá, blá, blá, montou uma peça no mesmo bar, por conta de esperar o seu Amor trabalhar.
As cortinas estavam postas, o cenário novo, brilhava pronto para gastar. Os atores estavam apostos, mas não havia um único texto para declamar. A cenógrafa, (aliás, vale aqui afirmar) a cenógrafa de cenógrafa só tinha o nome, era uma artista, ela gritou: Quem foi o insólito, incompetente, inconseqüente, inadequado que não trouxe uma peça para declamar? Que teatro é esse!gritava a cenógrafa, e os atores ficaram assustados. Era a cena do primeiro ato no teatro do bar. O seu amor, sentado na cadeira, assistia o ensaio desenrolar, sentiu até desejo de participar do segundo ato, a cena era de chorar, mas preferiu esperar.
Seu sonho, agora era diretor, mas queria voltar a trabalhar por conta da quantidade de desesperados que queriam emprestado a altos juros as alegrias que o seu Amor oferecia a módicos preços no mesmo bar.
Bom mesmo era ver a cenógrafa da peça do bar. Por ela sim o seu Amor voltaria a trabalhar, sentado naquela cadeira ele assistia a arrumação, tinha pregos, tinta, (muita tinta), tijolos, ferro, pinceis e um gorro marrom que toda vez que ela colocava dava pra ver os seus olhos que de longe não combinavam com ar triste daquele bar. A peça? Não me atreveria a lhe contar, mas posso lhe dizer que seu Sonho finalmente resolvera me procurar e o melhor, pagar a divida de anos com as alegrias que ele emprestava a altos juros a todos desesperados que buscavam as alegrias que o seu Amor oferecia por um módico preço no mesmo bar.
Todo dia tentam conceber um plano menos infalível, um certo “realismo”.
Diria então o sensato com noção;
“Deveria ser ‘O’ realismo que nega convenções, que tornaria o palco da vida mais emocionante e verdadeiro.”

PAULO COTTÊ

2 comentários:

Ana Paula disse...

Adorei o texto...vc escreve coisas incríveis Paulo. Parabéns!

Um ótimo Ano pra vc.
bj

MISCELÂNIA RIFF disse...

Impressionante... Forte... Mui forte.... Tirei umas fotos lá em Angra dos Reis... estava no olho do furacão..pena que não tem orkut para ver.. mais coloquei umas bobinhas no Blog.... Bjitos.